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Inclusão

FRÁGIL
Daniel Tércio em Jornal de Letras (22 de Fevereiro a 6 de Março de 2012)

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No palco existem diversas rodas e uma iluminação rasante que corta os corpos em segmentos. Os corpos são objectos sobre as rodas - presenças dinâmicas, pois, que circulam em eixos. Mas também presenças frágeis em peças de construção. Progressivamente, revelam-se as diferenças.


Existe hoje um debate acerca das definições de deficiência e acerca das conceptualizações sobre a deficiência. Por exemplo, o modelo social da deficiência (ou das deficiências) tem atribuído uma relevância particular aos contextos da educação inclusiva, ao mesmo tempo que questiona os processos de acomodação social das pessoas que apresentam diferenças físicas, intelectuais ou psicológicas. Tais diferenças não são necessariamente limitadoras a não ser que a sociedade falhe a sua acomodação. Assim, os estudos de deficiência, enquanto campo académico de investigação baseada na prática, sublinham a necessidade de uma participação de pessoas com disfunções, em todos os estados de pesquisa, incluindo a concepção, planeamento, implementação e disseminação de resultados. É portanto espectável que o desenvolvimento da disciplina deva incluir um elemento de consulta e investigação participada, desejavelmente conduzindo a um programa de emancipação.


Aparentemente, nada disto tem a ver com a dança. Mas, na verdade, tem tudo a ver com a dança, não porque a dança possua qualquer tipo de desígnio humanitário, ou especial missão social, mas porque estando o corpo - e os seus sinais - na centralidade da dança, as deficiências são as primeiras evidências dessa presença.


Muitas vezes, na relação com a deficiência, temos tendência para atribuir às artes uma função meramente terapêutica ou de reabilitação. Certamente que aqui se configura um importante domínio de intervenção. Mas há um outro olhar que cruza aquele domínio, mas que lhe pode ser autónomo, um olhar que tem sido desenvolvido internacionalmente e que em Portugal tem tido expressão muito significativa. Esse outro olhar representa uma nova expressão, se quisermos, uma outra sensibilidade, não apenas sobre as deficiências, mas também sobre os caminhos da dança contemporânea.


Uma estrutura como Dançando com a Diferença, sediada na Madeira, é um excelente exemplo de um trabalho continuado e consequente, justamente no domínio da dança contemporânea, que prepara neste momento um programa ambicioso de circulação nacional para 2012.

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